A vacina contra a gripe suína é segura e as mensagens eletrônicas que alardearam os riscos de contaminação por mercúrio são infundadas. As informações são da médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Associação Brasileira de Imunizações (Sbim). Em entrevista ao Estado, ela responde a algumas dúvidas a respeito da vacina que imuniza contra o vírus H1N1.
A vacina contra a gripe suína tem algum efeito colateral?
A vacina pode levar a eventos adversos leves e locais, como vermelhidão e dor no braço. A dor de cabeça tem sido uma queixa comum, mas os eventos adversos não chegam a 1% das doses aplicadas no Rio. É uma vacina segura.
Pessoas que já tiveram a gripe suína devem se vacinar?
É muito pouco provável que quem teve um quadro gripal no ano passado tenha certeza se teve ou não a gripe causada pelo influenza H1N1 pandêmico. Exceto aquelas pessoas que tenham tido o exame comprobatório, quem acha que teve a doença deve se vacinar.
A vacina contém mercúrio. Há algum risco de contaminação? Quase todas as vacinas disponíveis nos postos de saúde contêm mercúrio. A vacina DTP (contra difteria, tétano e coqueluche) contém mercúrio. Não há nada de perigoso ou preocupante. A vacina da gripe, oferecida aos nossos idosos, contém mercúrio desde sempre.
Pessoas alérgicas a mercúrio podem tomar a vacina?
É importante definir o que é alergia. Aquela vermelhidão ou coceira ao passar o produto no machucado não é contraindicação. Deve evitar a vacina quem fez choque anafilático por mercúrio, foi parar na UTI. Isso é muito raro. A mesma coisa para o ovo: só deve evitar quem teve anafilaxia por consumir ovo.
Um dos argumentos contra a vacina é que seria um produto novo, cuja segurança não teria sido suficientemente testada. Como a senhora vê essa questão? No momento do lançamento da vacina na Europa, talvez isso fosse verdade. Hoje, a gente já tem bastante resultado com a prática do Hemisfério Norte. E não há nenhum histórico, nenhum relato de evento adverso grave ou de morte pela vacina.
Quem estiver com febre ou algum outro sintoma de gripe ou resfriado pode se vacinar?
Febre é sintoma que adia vacinação.
É necessário dar intervalo entre as vacinas contra gripe suína e sazonal?
A rede privada vai oferecer a vacina combinada contra a gripe sazonal e contra o vírus H1N1, Quem tomar agora a vacina oferecida no posto de saúde e mesmo assim o médico indicar a sazonal depois, deve esperar pelo menos 30 dias entre uma vacina e a outra. Idosos que tomarem as vacinas no posto podem tomar no mesmo dia, porque o governo oferece as doses em separado. O risco é tomar duas vezes a vacina contra H1N1.
Anvisa vai acompanhar reações a vacina contra gripe
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde lançaram um protocolo dirigido a profissionais de saúde para acompanhar eventuais reações provocadas pela vacinação contra gripe H1N1. O documento observa ser importante organizar um esquema para investigar eventuais problemas, apesar de relatos feitos até agora em todo o mundo mostrarem que a vacina é bastante segura.
O plano descreve como deve ser feita as notificações e investigações de casos suspeitos de eventos adversos. O sistema deve funcionar durante toda a estratégia de vacinação e se estender até seis semanas depois do encerramento da campanha.
O Ministério da Saúde divulgou hoje balanço sobre a primeira etapa da campanha, que vacinou profissionais de saúde. De acordo com ministério, foram imunizadas 2,2 milhões de pessoas, o equivalente a 88% do público alvo.
De acordo com a pasta, foram vacinadas até agora 8,6 milhões de pessoas. Nesta semana, teve início a terceira etapa da estratégia, destinada a jovens de 20 a 29 anos. Eles terão até o dia 23 para ir a um posto de saúde.
O Ministério da Saúde prorrogou também para esse período a imunização de gestantes, crianças de 6 meses a menos de 2 anos e pessoas com doenças crônicas. Não é necessário apresentar atestado médico comprovando gravidez ou a sua situação de saúde.
Segundo o diretor da Fundação da Vigilância em Saúde, Bernardino Albuquerque, os efeitos colaterais da vacina contra gripe suína são comuns em qualquer tipo de medicamento, mas no caso da vacina contra a gripe A, as reações variam de pessoa para pessoa e não são graves. Ele ainda ressalta que esta é a única maneira de prevenção contra o vírus H1N1.
O que é influenza A (H1N1)?
É uma doença respiratória aguda, causada pelo
vírus pandêmico (H1N1) 2009. Este novo subtipo do vírus da
influenza, do mesmo modo que os demais, e é transmitido de
pessoa a pessoa, principalmente por meio da tosse ou espirro e
do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.
O que significa H1N1?
As letras correspondem às duas proteínas da
superficie do vírus: H: Hemaglobulina e N: Neuraminidase . O
numero 1 corresponde a ordem em que cada uma das proteínas foi
registrada, significando que ambas as proteínas tem semelhanças
com os componentes do vírus que já circulou anteriormente,
quando da pandemia de 1918-1919.
Qual a diferença entre a gripe comum e a influenza
pandêmica (H1N1) 2009?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus
influenza. Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre
repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas
articulações e coriza. Por isso, ao apresentar estes sintomas,
seja pela gripe comum ou pela nova gripe, deve-se procurar seu
médico ou um posto de saúde.
Esse vírus influenza pandêmico (H1N1) 2009 é mais
violento e mata mais do que o vírus da gripe comum?
Até o momento, o comportamento da nova gripe se
assemelha ao da gripe comum. Ou seja, o vírus pandêmico (H1N1)
2009 não se apresentou mais violento ou mortal, na população
geral. A maioria absoluta das pessoas que adoece, seja pela
gripe comum, seja pela gripe pandêmica, desenvolvem formas leves
da doença e se recuperam, mesmo sem uso de medicamentos. Para
ambas as gripes pessoas com doenças crônica, gestantes e
crianças menores de dois anos são mais vulneráveis. Mas quando
consideramos a população jovem previamente saudável, este vírus
pandêmico tem um maior potencial de causar doença grave, quando
comparado com o vírus da gripe comum. Por outro lado, o vírus
pandêmico tem acometido menos as pessoas maiores de 60 anos. Mas
ainda são necessários estudos mais aprofundados que estão sendo
realizados, em todo o mundo, para esclarecer o comportamento do
novo vírus.
Como ocorre a transmissão?
A forma mais comum é a transmissão direta (pessoa a
pessoa), por meio de gotículas de saliva, expelidas ao falar, ao
tossir e espirrar. Outra forma é pelo contato (indireto), por
meio das secreções de pessoas doentes. Nesses casos, a mão é o
principal veículo transmissor do vírus, ao favorecer a
introdução de partículas virais diretamente na boca, olhos e
nariz.
Quanto tempo o vírus resiste fora do organismo?
O vírus resiste de 24 horas a 72 horas fora do
organismo.
Quanto tempo o vírus permanece vivo numa maçaneta ou
superfície lisa? Por até 10 horas.
Qual o período de incubação do vírus? Há como a pessoa
ter a doença e não ter os sintomas?
O período de incubação do vírus é de três a cinco dias,
quando começa a manifestação dos sintomas. Porém, também é
possível que uma pessoa tenha a doença de uma forma
assintomática, sem apresentar nenhuma reação. Durante o período
de incubação ou em casos de infecções assintomáticas, o paciente
também pode transmitir a doença. O período de transmissão do
vírus em crianças é de até 14 dias, enquanto que nos adultos é
de sete dias. A doença pode começar a ser transmitida até um dia
antes do início do surgimento dos sintomas.
Os animais domésticos contagiam-se com o vírus?
Com este vírus da gripe A especificamente não, mas
provavelmente se contagiem com algum outro tipo de vírus.
Quais os sintomas da influenza H1N1?
A pessoa apresenta febre acima de 38ºC, tosse e
dificuldade respiratória, acompanhada ou não de dor de garganta,
ou de manifestações gastrointestinais, dor de cabeça, dores
musculares, nas articulações e tosse. A febre é um dos sintomas
mais recorrentes, presente em 92% dos casos. No surgimento de
qualquer sintoma, recomenda-se procurar o médico de confiança ou
a unidade de saúde mais próxima.
O que fazer quando surgirem os sintomas?
No surgimento dos sintomas de gripe, como febre
repentina acima de 38º, dores musculares e nas articulações, dor
de cabeça e dificuldade de respirar, a pessoa deve procurar seu
médico de confiança ou a unidade de saúde mais próxima.
Como saber que os sintomas estão se agravando?
Um detalhe importante a ser observado é quando a febre
passa e depois volta de forma repentina, após alguns dias. Nas
crianças, observe se os lábios estão lábios arroxeados, se as
asas do nariz estão batendo e se a musculatura das costas está
com movimentos intensos. Essas reações devem estar relacionadas
aos sintomas comuns, como febre repentina (acima 38ºC), dor de
cabeça, dificuldade respiratória, dores musculares e nas
articulações, e coriza. Em qualquer uma dessas situações,
procure seu médico de confiança ou a unidade de saúde mais
próxima. Os casos graves ou de pessoas que façam parte do grupo
de risco são tratados em hospital.
Como o vírus provoca a morte de uma pessoa?
Afeta órgãos vitais, como o pulmão, provocando
dificuldades respiratórias severas, que, se não tratadas
adequadamente, podem ocasionar a morte.
Quais as formas de prevenção?
Faça a higienização frequente das mãos com água e
sabão ou álcool gel a 71%. Lembre-se de retirar os acessórios
(anéis, pulseiras, relógio), uma vez que estes objetos acumulam
microrganismos não removidos com a lavagem das mãos. Evite
encostar-se na pia; enxágue as mãos, retirando os resíduos de
sabonete; evite contato direto das mãos ensaboadas com a
torneira; seque mãos e punhos com papel-toalha descartável; no
caso de torneiras com contato manual para fechamento, sempre
utilize papel-toalha para fechá-la. Use lenço descartável para
higiene nasal e ao tossir ou espirrar cubra nariz e boca. Evite
tocar mucosas de olhos, nariz e boca. Evite, também,
aglomerações e não divida objetos de uso pessoal, como toalhas
de banho, talheres e copos.
O uso de vitamina C ajuda a prevenir contra a influenza
H1N1?
Uma alimentação balanceada, rica em vitamina C,
fortalece o organismo e ajuda a criar mais resistência contra
qualquer doença. Porém, isso por si só não garante prevenção
contra a influenza A (H1N1), mas ajuda o organismo a responder à
infecção.
A pessoa gripada deve ficar em casa?
Pessoas com sintomas de gripe devem procurar
orientação médica, antes de adotar medidas de isolamento
domiciliar, além de manter as medidas de higiene indicadas.
A vacina contra a influenza sazonal previne também
contra a Influenza H1N1?
Não. A cada ano a vacina é modificada, os componentes
são diferentes, e ela só serve para aquele tipo específico de
vírus influenza.
Como tratar a doença?
A partir de indicação médica, o tratamento é feito com
o antiviral Oseltamivir , que deve ser utilizado em até 48 horas
após o início dos sintomas, observando-se as recomendações do
fabricante, constantes na bula do medicamento. Qualquer
tratamento deve ser orientado por um médico. O Ministério da
Saúde alerta que todos os indivíduos com síndrome gripal que
apresentam fator de risco para as complicações de influenza,
requerem – obrigatoriamente – avaliação e monitoramento clínico
constante de seu médico assistente, para indicação ou não de
tratamento com Oseltamivir, além da adoção de todas as demais
medidas terapêuticas. Em casos graves ou de pessoas que façam
parte do grupo de risco, o Tamiflu pode ser usado até 48 horas
após o início dos sintomas.
Todas as pessoas que se contaminam com esta doença morrem?
Não. A situação epidemiológica atual, no Brasil e
no mundo, caracteriza-se por uma pandemia com predominância de
casos clinicamente leves e com baixa letalidade.
Quem faz parte do grupo de risco?
Pessoas portadoras de imunodepressão (organismo
debilitado), como transplantados, pacientes com câncer, em
tratamento para AIDS, ou em uso de medicação imunossupressora.
Também aquela em condições crônicas, como as pessoas portadoras
de hemoglobinopatias (doenças genéticas do sangue),
cardiopatias, pneumopatias, doenças renais crônicas, doenças
metabólicas (diabetes mellitus e obesidade mórbida). Fazem parte
do grupo de risco as crianças com menos de dois anos de idade,
os adultos acima de 60 anos e as gestantes, independente do período.